Ser sincero pode tornar-nos dejectos sociais. Poucos estão preparados para encaixar uma boa crítica sem um sorriso falso ou a piadinha mestra. O gajo-sincero não presta. Porque é directo. Estraga a magia da descoberta. É preferível sermos enganados. Gostamos e estamos habituados.
O gajo-sincero dá-se bem com o gajo-directo. São ambos forretas. No tempo, claro. Para quê perder preciosos segundos com banalidades? Mais vale largar logo a bomba. Assim aprecia-se os efeitos de choque e resolve-se o assunto. A bem ou a mal.
O gajo-sincero também é perigoso. Uma mente destreinada pode, num deslize, pedir uma opinião à espera do elogio. Quase nunca resulta. A não ser que seja um dos raros gajos-sinceros-e-educados deste mundo. Aí sim, funciona.
Primo afastado destes mas igualmente cruel é o gajo-directo-mal-educado. Pede, ordenando, convencido que está a fazer um favor ou pior, um frete. É ríspido e, frequentemente, sexualmente disfuncional. O umbigo é o seu melhor amigo. Conjuga os verbos na sua mais básica forma – “tira”; “põe”; “faz”. “Por favor” conta-se em poucos dedos e acredita mesmo que é desnecessário. Com treino suficiente subirá um degrau para tornar-se a verdadeira besta.
Conheço muitos mas, para ser sincero, não gosto de nenhum. E, por favor, evitem educar mais.